quinta-feira, 14 de junho de 2018

Um serão com as histórias da avó


Histórias do contrabando na fronteira, contos de bruxas e feiticeiras, lendas de mouras encantadas… vão preencher amanhã (15 de junho), em Vila Verde da Raia, no concelho de Chaves, “Um serão com as histórias da avó”. Trata-se do projeto “Viv@vó”, dinamizado pela Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT) de Mirandela, um projeto que procura descobrir, no seio do povo, novas propostas para o turismo.

Em janeiro, aconteceu em casa da avó de Agrochão, Vinhais (Graça Afonso, na foto). Desta vez, a anfitriã é a avó Maria Lucinda Rosa, a contadora de histórias que vai receber os seus convidados com um jantar à base de milhos com carne de porco. E a reforçar a sobremesa… lá estarão as histórias: a verdadeira ciência do povo. Uma experiência única em Portugal.

Eu próprio, também convidado, não faltarei. Se não for pelos milhos…., há de ser pelas histórias.

(ap)

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Ensinar crianças e caçar?! Mas em que século estamos?



Hoje no jornal i. Que notícia fantástica! Depois, cá estou eu (e outros como eu) para chamá-las à razão. Ou (re)educá-las. Comigo saberão que a Natureza e os seres que nela habitam são um bem em risco. Saberão que matar todo o ser que vive, e fazê-lo por capricho, para saciar o apetite de aventura e desporto, já não é mais um ato de cultura, mas sim de selvageria. Saberão que, tal como o homem, os animais também sentem prazer, felicidade, dor, saudade e sofrimento.

E se alguma vez encontrar uma das crianças deste acampamento, hei de desafiá-la, quando pensar em matar um animal indefeso, a olhá-lo no fundo dos seus olhos antes de o abater, e, por um momento, imaginar-se a trocar de posição com ele.

(ap)

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Este Douro, Património Mundial da UNESCO… é só para inglês ver?


Uma boa parte desta paisagem, que a UNESCO tem classificada como Património Mundial, e que gera muitos milhões de lucros com o turismo, foi fustigada nos últimos dias por violentas trovoadas de chuva e granizo que destruíram vinhas, provocaram derrocadas de muros e movimentos de terras, sofrendo em especial os concelhos de Sabrosa e de Alijó, nos seus territórios mais próximos do rio Douro.

Nas suas vinhas, os agricultores deparam-se com as folhas esfarrapadas, galhos quebrados e bagos no chão, muros caídos e deslizamentos de terras. Ficaram feridas as vinhas, mas feridas maiores ficaram no ânimo dos agricultores, que vão agora ter de correr ceca e meca para tentarem assegurar os meios possíveis de subsistência.

É que, às vezes, tem-se a sensação de que o Douro é só esta paisagem, protegida pela UNESCO, que deslumbra os olhares para lisonja e delícia de quem o visita, esquecendo-se que, por detrás de cada cepa e de cada pedra, há rostos de gente que ainda sofre para sobreviver.

(ap)

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Começa hoje o IV Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro



Decorre no Pavilhão do Conhecimento do Parque das Nações, em Lisboa. Serão três dias para reafirmar a identidade da Pátria Transmontana. Onde ser transmontano, mais do que um mero registo de naturalidade, é uma devota e orgulhosa vocação.

Não estarei lá fisicamente, com muita pena. Especialmente na apresentação, hoje, às 19h, da «Antologia de Autores Transmontanos, Durienses e da Beira Transmontana», coordenada pelo escritor e académico Armando Palavras, que teve a gentileza de me incluir com 5 poemas.

(ap)

terça-feira, 22 de maio de 2018

De novo os ridículos “olharapos” da Expo…


Iniciam-se hoje as celebrações dos 20 anos da abertura da Expo 98. E, ao que consta, prometem voltar com aqueles ridículos “olharapos”, inventados por “cérebros” ignorantes que me fizeram lembrar os miúdos da escola primária a divertirem-se com os desenhinhos de monstros que a imaginação inocente produz.

Se fosse gente culta saberia que o olharapo é uma criatura da mitologia popular portuguesa, um gigante que se caracteriza por ter um só olho na testa. Daí o nome. O lendário tradicional refere-os nas regiões do norte de Portugal e da Galiza (em Vinhais é o “olhapim” e diz o povo “na terra do olhapim, quem tem dois olhos é rei”). Bastaria terem lido o mestre Leite de Vasconcelos ou o Abade de Baçal. Ou até a wikipedia.

(ap)

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Foge cão, que te fazem barão!



Vai chegar-se a um ponto em que já ninguém aceita ir para Diretor-Geral das Artes. Todos os anos, quando se trata de distribuir os subsídios pelas companhias de teatro e outros organismos ligados à arte, esta Direção-Geral fica logo debaixo de fogo, pois ninguém pode agradar a todos. Nem Jesus Cristo o conseguiu.

E para não variar, leio hoje a notícia que já esperava: a Diretora-Geral das Artes, Paula Varanda, acaba de ser demitida pelo Ministro da Cultura.

Recorde-se que, há pouco mais de um ano, fora também demitido o anterior Diretor-Geral, Carlos Moura Carvalho, ficando aquele lugar vazio pois a Sub-Diretora-Geral, Joana Fins da Silva, pedira ela própria a exoneração pouco antes.

Em grande vespeiro se está a transformar esta Direção-Geral!

Mas há que perguntar também: qual a eficácia, afinal, dos concursos públicos para Dirigentes Superiores liderados pela CReSAP? Alguém levará ainda a sério essa tal CReSAP? Se isto assim continua, quem é que, num dia destes, aceita ser dirigente de alguma coisa em Portugal?

Como dizia o povo antigo: Foge cão, que te fazem barão! Mas para onde se me fazem visconde?

(ap)

domingo, 22 de abril de 2018

Valia milhões, mas a Pátria só lhe pagou 15 tostões




Decorre(u) por estes dias a evocação do centenário da célebre Batalha de La Lys, onde um jovem soldado transmontano, esguio e pequeno de corpo, deu mostras de uma heroicidade que o mundo inteiro reconheceu e louvou. A sua Pátria, porém, tarda em fazer-lhe justiça. De nome Aníbal Milhais, o seu apelido e o feito que praticou levaram à criação da alcunha “Soldado Milhões”, que o viria a acompanhar a vida toda.


As forças aliadas, onde tinham lugar as tropas portuguesas, haviam sido fortemente destroçadas, com muitos milhares de mortos. E no momento em que várias dezenas de militares, muitos deles feridos, batiam em retirada perante a perseguição do exército inimigo, o jovem Aníbal ficou (negligentemente ou não) sozinho para trás e viu-se perdido, escondido numa trincheira, tendo com ele apenas uma metralhadora Lotz e uma grande quantidade de munições.

Com uma só saída, entre deixar-se abater, entregar-se ao inimigo ou enfrentá-lo, optou pela última, conseguindo “varrer” uma coluna inteira de alemães que iam em motocicletas na perseguição dos aliados. Após tal ato, prudente ou não, caiu-lhe em cima uma outra coluna de alemães que vinha em socorro dos companheiros atacados pela metralhadora entrincheirada. Estes, que em princípio contavam que na trincheira se encontrasse uma quantidade vasta de soldados adversários, ficaram estupefactos quando de lá lhes saiu um único homem, um pequeno e esguio “Rambo”, com uma só metralhadora, agora recarregada de munições, a lutar perdidamente pela própria vida. A surpresa daqueles e o arrojo deste (assente na convicção de que nada tinha já a perder) foram determinantes para o resultado da façanha. Muitos alemães tombaram na sua frente e os outros fugiram.

O Milhões viria a ser depois socorrido nos seus ferimentos por um médico escocês que relatou a odisseia aos seus superiores, e, a partir daí, a lenda correu mundo. Na memória oral transmontana andou uma quadra popular que dizia: “Lá vem o grande Milhões / Só por milagre está vivo / Pois matou mais alemães / Do que os buracos dum crivo”.

Acabada a Guerra, o Soldado Milhões voltou à sua pobreza, à sensaboria da terra natal, onde viria a ter de sustentar, no árduo labor do campo, um outro “exército” – esse formado pelos seus oito filhos. Uma neta do herói contou entretanto a um jornal que o avô apenas recebeu da Pátria, após a Guerra, uma tença de 15 tostões.

(ap)