sexta-feira, 25 de maio de 2018

Começa hoje o IV Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro



Decorre no Pavilhão do Conhecimento do Parque das Nações, em Lisboa. Serão três dias para reafirmar a identidade da Pátria Transmontana. Onde ser transmontano, mais do que um mero registo de naturalidade, é uma devota e orgulhosa vocação.

Não estarei lá fisicamente, com muita pena. Especialmente na apresentação, hoje, às 19h, da «Antologia de Autores Transmontanos, Durienses e da Beira Transmontana», coordenada pelo escritor e académico Armando Palavras, que teve a gentileza de me incluir com 5 poemas.

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terça-feira, 22 de maio de 2018

De novo os ridículos “olharapos” da Expo…


Iniciam-se hoje as celebrações dos 20 anos da abertura da Expo 98. E, ao que consta, prometem voltar com aqueles ridículos “olharapos”, inventados por “cérebros” ignorantes que me fizeram lembrar os miúdos da escola primária a divertirem-se com os desenhinhos de monstros que a imaginação inocente produz.

Se fosse gente culta saberia que o olharapo é uma criatura da mitologia popular portuguesa, um gigante que se caracteriza por ter um só olho na testa. Daí o nome. O lendário tradicional refere-os nas regiões do norte de Portugal e da Galiza (em Vinhais é o “olhapim” e diz o povo “na terra do olhapim, quem tem dois olhos é rei”). Bastaria terem lido o mestre Leite de Vasconcelos ou o Abade de Baçal. Ou até a wikipedia.

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Foge cão, que te fazem barão!



Vai chegar-se a um ponto em que já ninguém aceita ir para Diretor-Geral das Artes. Todos os anos, quando se trata de distribuir os subsídios pelas companhias de teatro e outros organismos ligados à arte, esta Direção-Geral fica logo debaixo de fogo, pois ninguém pode agradar a todos. Nem Jesus Cristo o conseguiu.

E para não variar, leio hoje a notícia que já esperava: a Diretora-Geral das Artes, Paula Varanda, acaba de ser demitida pelo Ministro da Cultura.

Recorde-se que, há pouco mais de um ano, fora também demitido o anterior Diretor-Geral, Carlos Moura Carvalho, ficando aquele lugar vazio pois a Sub-Diretora-Geral, Joana Fins da Silva, pedira ela própria a exoneração pouco antes.

Em grande vespeiro se está a transformar esta Direção-Geral!

Mas há que perguntar também: qual a eficácia, afinal, dos concursos públicos para Dirigentes Superiores liderados pela CReSAP? Alguém levará ainda a sério essa tal CReSAP? Se isto assim continua, quem é que, num dia destes, aceita ser dirigente de alguma coisa em Portugal?

Como dizia o povo antigo: Foge cão, que te fazem barão! Mas para onde se me fazem visconde?

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domingo, 22 de abril de 2018

Valia milhões, mas a Pátria só lhe pagou 15 tostões




Decorre(u) por estes dias a evocação do centenário da célebre Batalha de La Lys, onde um jovem soldado transmontano, esguio e pequeno de corpo, deu mostras de uma heroicidade que o mundo inteiro reconheceu e louvou. A sua Pátria, porém, tarda em fazer-lhe justiça. De nome Aníbal Milhais, o seu apelido e o feito que praticou levaram à criação da alcunha “Soldado Milhões”, que o viria a acompanhar a vida toda.


As forças aliadas, onde tinham lugar as tropas portuguesas, haviam sido fortemente destroçadas, com muitos milhares de mortos. E no momento em que várias dezenas de militares, muitos deles feridos, batiam em retirada perante a perseguição do exército inimigo, o jovem Aníbal ficou (negligentemente ou não) sozinho para trás e viu-se perdido, escondido numa trincheira, tendo com ele apenas uma metralhadora Lotz e uma grande quantidade de munições.

Com uma só saída, entre deixar-se abater, entregar-se ao inimigo ou enfrentá-lo, optou pela última, conseguindo “varrer” uma coluna inteira de alemães que iam em motocicletas na perseguição dos aliados. Após tal ato, prudente ou não, caiu-lhe em cima uma outra coluna de alemães que vinha em socorro dos companheiros atacados pela metralhadora entrincheirada. Estes, que em princípio contavam que na trincheira se encontrasse uma quantidade vasta de soldados adversários, ficaram estupefactos quando de lá lhes saiu um único homem, um pequeno e esguio “Rambo”, com uma só metralhadora, agora recarregada de munições, a lutar perdidamente pela própria vida. A surpresa daqueles e o arrojo deste (assente na convicção de que nada tinha já a perder) foram determinantes para o resultado da façanha. Muitos alemães tombaram na sua frente e os outros fugiram.

O Milhões viria a ser depois socorrido nos seus ferimentos por um médico escocês que relatou a odisseia aos seus superiores, e, a partir daí, a lenda correu mundo. Na memória oral transmontana andou uma quadra popular que dizia: “Lá vem o grande Milhões / Só por milagre está vivo / Pois matou mais alemães / Do que os buracos dum crivo”.

Acabada a Guerra, o Soldado Milhões voltou à sua pobreza, à sensaboria da terra natal, onde viria a ter de sustentar, no árduo labor do campo, um outro “exército” – esse formado pelos seus oito filhos. Uma neta do herói contou entretanto a um jornal que o avô apenas recebeu da Pátria, após a Guerra, uma tença de 15 tostões.

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domingo, 1 de abril de 2018

«Dia 1 de abril, vai o parvo aonde não deve ir»


Por estas bandas também se diz: «dia 1 de abril, vai o burro aonde não deve ir». Burro ou parvo… para o caso tanto faz. O rifão tem origem num antigo ritual de iniciação dos rapazes, de que muitos transmontanos ainda se lembram, e que é conhecido como a “caça das alpabardas” ou “alcaparras”.

No nordeste transmontano é o “biobardo”, e obriga-se o incauto a estar com um saco aberto de noite à espera do “biobardo” e a recitar:

«Biobardo, vem-te ao fardo, que eu parvo por ti aguardo”.

Alguns desgraçados passavam lá a noite inteira do 1 de abril.

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terça-feira, 27 de março de 2018

Parabéns aos que lutam pelo Teatro no interior!



Hoje, Dia Mundial do Teatro, trago aqui uma palavra de estímulo e conforto aos que lutam pelo Teatro no interior do país. Verdadeiros heróis da cultura! Assim é a companhia de Teatro Filandorra, sedeada em Vila Real mas de olhos voltados para a região, para o país, para o mundo.
Há mais de 30 anos com um percurso louvável, a formar públicos no interior, contra ventos e marés, leva o teatro às escolas, jardins de infância, lares de idosos, terreiros das aldeias, igrejas e mosteiros, cine-teatros. Chama as crianças e os jovens para o mundo mágico dos livros, põe as populações dos meios rurais a interagir com obras e autores emblemáticos como Raul Brandão, Tcheckov, Lorca, Molière, Torga, Garrett, Gil Vicente, Goldoni, Brecht, José Luís Peixoto, Saramago, Shakespeare.
E também o meu reconhecimento muito especial pela forma respeitosa e inovadora com que tem trabalhado alguns dos meus livros.

(ap)

sexta-feira, 23 de março de 2018

A propósito do “engaço”




O que sempre me irritou em Passos Coelho, que se afirmava transmontano, foi o fazer-me estar sempre a lembrar aquela criada de Carrazeda de Ansiães que, no espaço de poucos meses em que foi servir para a cidade, logo esqueceu o “engaço” (“e eu sei lá o que isso é!”, dizia ela quando lho perguntaram os vizinhos que carregavam um carro de estrume).

Na verdade, não o vi, enquanto primeiro-ministro, chamar para a sua equipa governativa qualquer transmontano e, desse jeito, dar um sinal de que iria fazer algo pela região, pelo interior sempre tão esquecido. Um dos seus secretários de estado não teve pejo sequer em dizer que o IP4 entre Vila Real e Bragança iria ter de pagar portagens (!).

Vejo agora o seu sucessor, que não é transmontano (nem do interior, que eu saiba), a dar um sinal diferente, rodeando-se, não de um 1, mas de 2 transmontanos, nos cargos mais importantes do seu partido: José Silvano, vila-realense, secretário-geral do PSD; e Adão Silva, macedense, vice-presidente do seu Grupo Parlamentar. O primeiro, meu companheiro do liceu, e ambos meus amigos de muitos anos, mas, sobretudo, grandes defensores da nossa região, grandes combatentes pelo interior contra a desertificação. Desejo a ambos os maiores sucessos nessa missão.

(ap)